Qualquer pessoa é feliz ou infeliz apenas na medida em que acha que é ou não é feliz ou infeliz. Se alguém se convence que é feliz, passa a ser um importante vetor de mudanças sociais, uma agente revolucionária na mudança radical dos valores de uma sociedade construída com base em coisas como julgamento, repressão, culpa, exclusão, sofrimento, fatalidade. Uma vez convencida de que é infeliz - pior ainda: que NÃO PODE ser feliz - é praticamente impossível a pessoa ser convencida de que ela não é.
Por isso mesmo, filosoficamente, felicidade é sempre descrita muito mais como "estado de espírito" do que de um permanente "balanço existencial" entre o que eu tenho e o que me falta, o que eu gosto e o que eu não gosto, o que eu sou e o que eu não sou, os padrões e a minha "capacidade" de corresponder a eles.
Mas o difícil está exatamente em fazer com que as pessoas se voltem, antes de mais nada, para "si mesmas". A maioria não tem sequer a noção de quem é "si mesma" nessa história. E assim retornamos à velha fala socrática: "conhece-te primeiro a ti mesmo"...
Letícia Lanz
