terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Cansaço

Quando te sentires sitiado pelo desfalecimento de forças ou o cansaço te insinue em forma de desânimo, para um pouco e refaz-te. O cansaço é mau conselheiro. Ele produz irritação ou indiferença, tomando as energias e exaurindo-as.
Renova a paisagem mental, buscando motivação que te predisponha ao prosseguimento da tarefa. Por um momento, repousa, a fim de conseguires o vigor e o entusiasmo para a continuidade da ação.
Noutra circunstância, muda de atividade, evitando a monotonia que intoxica os centros da atenção e entorpece as forças. Não te concedas o luxo do repouso exagerado, evitando tombar na negligência do dever.
Com método e ritmo, conseguirás o equilíbrio psicológico de que necessitas, para não te renderes à exaustão. Jesus informou com muita propriedade, numa lição insuperável, que “o Pai até hoje trabalha e eu também trabalho”, sem cansaço nem enfado.
A mente renovada pela prece e o corpo estimulado pela consciência do dever não desfalecem sob os fardos, às vezes, quase inevitáveis do cansaço. Age sempre com alegria e produze sem a perturbação que o cansaço proporciona.


Joanna de Angelis - Divaldo Franco



sábado, 23 de novembro de 2013

O Natal

Ah, o Natal... 
Ouço pessoas criticarem o consumismo desenfreado que toma as pessoas nesta época cujo significado perdeu-se entre árvores, brinquedos e Papai Noel. 
Certo, tudo certo...

Mas eu prefiro lembrar que neste final de ano, devido ao famigerado consumismo, milhões de empregos foram gerados e milhões de pessoas puderam resgatar um pouco de sua dignidade.
Prefiro lembrar que neste momento, por conta do dinheiro extra que receberão, muitos pais e mães de família poderão oferecer uma mesa mais farta aos seus filhos.
E que devido a alta propaganda de solidariedade que se faz nesta época, crianças carentes poderão ganhar, sim, algum brinquedo.
Prefiro lembrar que muitas pessoas tomadas pelo espírito disseminado nesta época mover-se-ão à caridade e a solidariedade com o próximo.
E que você... você poderá, enfim, dar e receber o abraço daquelas pessoas que você gosta mas que por falta de “motivo” para abraçar ficou contido até agora...

Ah, como Deus escreve certo por linhas tortas.
O que era para ser “apenas” a celebração do nascimento de Jesus, universalizou-se numa celebração de Fraternidade e Amor.
Bem ou mal, o Amor está em toda parte!
E se ainda assim você não quiser celebrar esta data, não tem problema:
Quero convidar-te a fazer como fossem Natal todos os teus dias!

Augusto Branco



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pimenta Negra

Carta de Bakunine ao irmão Paulo ( 29 de Março de 1845)

Continuo a ser eu próprio, como antes, inimigo declarado da realidade existente, só que com uma diferença: eu parei de ser um teórico, eu venci, enfim, em mim, a metafísica e a filosofia, e entreguei-se inteiramente, com toda a minha alma, ao mundo prático, ao mundo dos factos reais.
Acredite em mim, amigo, a vida é bela; agora tenho pleno direito de dizer isto porque parei há muito tempo de olhá-la através das construções teóricas e de conhecê-la somente em fantasia, pois experimentei efectivamente muitas das suas amarguras, sofri muito e entreguei-me frequentemente ao desespero.
Eu amo, Paulo, amo apaixonadamente: não sei se posso ser amado como gostaria que fosse, porém não me desespero; sei, pelo menos, que tem muito simpatia por mim; devo e quero merecer o amor daquela a quem amo, amando-a religiosamente, ou seja, activamente; ela está submetida à mais terrível e à mais infame escravidão e devo libertá-la combatendo os seus opressores e incendiando no seu coração o sentimento da sua própria dignidade, suscitando nela o amor e a necessidade da liberdade, os instintos da rebeldia e da independência, fazendo-lhe recordar a sensação da sua força e dos seus direitos.
Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro; o primeiro acto do verdadeiro amor é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode amar verdadeiramente a não ser alguém perfeitamente livre, independente, não só de todos os demais, mas também e, sobretudo, daquele de quem é amado e a quem ama.
Esta é a profissão da minha fé política, social e religiosa, aqui está o sentido íntimo, não só dos meus actos e das minhas tendências políticas, mas também, tanto quanto me é possível, da minha existência particular e individual; porque o tempo em que poderiam ser separados estes dois géneros de acção está muito longe da gente; agora o homem quer a liberdade em todas as acepções e em todas as aplicações desta palavra, ou então não a quer de modo algum; querer a dependência daquele a quem se ama é amar uma coisa e não um ser humano, porque o que distingue o ser humano das coisas é a liberdade; e se o amor implicar também a dependência, é o mais perigoso e infame do mundo porque é então uma fonte inesgotável de escravidão e de embrutecimento para toda a humanidade.
Tudo que emancipa os homens, tudo que, ao fazê-los voltar a si mesmos, suscita neles o princípio da sua vida própria, da sua actividade original e realmente independente, tudo o que lhes dá força para serem eles mesmos, é verdade; tudo o resto é falso, liberticida, absurdo. Emancipar o homem, esta é a única influência legítima e bem-feitora.
Abaixo todos os dogmas religiosos e filosóficos – que não são mais que mentiras; a verdade não é uma teoria, mas sim um facto; a vida é a comunidade de homens livres e independentes, é a santa unidade do amor que brota das profundidades misteriosas e infinitas da liberdade individual.

Nota biográfica
Mikhail Bakunin (1814-1876), de origem aristocrática, que percorreu toda a Europa como activista revolucionário e exilado político, foi um dos fundadores da Associação Internacional dos Trabalhadores, também conhecida por I Internacional, sendo uma das figuras mais importantes do movimento e do pensamento anarquista. Da sua bibliogarfia destaca-se o livro Deus e o Estado.
A carta reproduzida acima tem data de 29 de Março de 1845 e foi enviada de Paris por Bakunin ao seu irmão Paulo.


domingo, 3 de novembro de 2013

O porque da dor da despedida

A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas.
Talvez sempre tenham sido e sempre serão.
Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos.
E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos.
Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.

Nicholas Sparks




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ser Feliz ou Infeliz

Qualquer pessoa é feliz ou infeliz apenas na medida em que acha que é ou não é feliz ou infeliz. Se alguém se convence que é feliz, passa a ser um importante vetor de mudanças sociais, uma agente revolucionária na mudança radical dos valores de uma sociedade construída com base em coisas como julgamento, repressão, culpa, exclusão, sofrimento, fatalidade. Uma vez convencida de que é infeliz - pior ainda: que NÃO PODE ser feliz - é praticamente impossível a pessoa ser convencida de que ela não é. 
Por isso mesmo, filosoficamente, felicidade é sempre descrita muito mais como "estado de espírito" do que de um permanente "balanço existencial" entre o que eu tenho e o que me falta, o que eu gosto e o que eu não gosto, o que eu sou e o que eu não sou, os padrões e a minha "capacidade" de corresponder a eles. 
Mas o difícil está exatamente em fazer com que as pessoas se voltem, antes de mais nada, para "si mesmas". A maioria não tem sequer a noção de quem é "si mesma" nessa história. E assim retornamos à velha fala socrática: "conhece-te primeiro a ti mesmo"... 


Letícia Lanz


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

“O Homem Sozinho Consigo Mesmo”

“Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem. Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar. Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão e o dia será quase pior do que a noite. Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: – eles buscam a filosofia da manhã.”

Friedrich Nietzsche


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas

Podemos distinguir duas espécies de cólera: uma que é muito súbita e se manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente ser apaziguada; e outra que inicialmente não aparece tanto, porém corrói mais o coração e tem efeitos mais perigosos. Os que têm muita bondade e muito amor são mais sujeitos à primeira. Pois ela não provém de um ódio profundo, e sim de uma súbita aversão que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, tão logo acontece de forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso, mesmo que a coisa não os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afeição, interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim, o que para outra pessoa seria apenas motivo de indignação é para eles um motivo de cólera. E como a inclinação que têm para amar faz que tenham muito calor e muito sangue no coração, a aversão que os surpreende não pode impelir para este tão pouca bile que isso não cause inicialmente uma grande emoção no sangue. Mas tal emoção pouco dura, porque a força da surpresa não se prolonga e porque, tão logo percebem que o motivo que os contrariou não devia emocioná-los tanto, arrependem-se disso.A outra espécie de cólera, em que predominam o ódio e a tristeza, não é tão aparente no início, a não ser talvez fazendo o rosto empalidecer. Mas pouco a pouco a sua força é aumentada pela agitação que um ardente desejo de vingar-se excita no sangue, que, estando misturado com a bile que é impelida da parte inferior do fígado e do baço para o coração, excita nele um calor muito áspero e muito picante. E, assim como as almas mais generosas são as que sentem mais reconhecimento, assim as que têm mais orgulho, e que são mais baixas e mais fracas, são as que mais se deixam arrebatar por essa espécie de cólera; pois as injúrias parecem tanto maiores quanto mais o orgullho faz que nos estimemos; e também na medida em que mais estimamos os bens que elas arrrebatam, os quais tanto mais estimamos quanto mais fraca e mais baixa tivermos a alma, porque eles dependem de outrem. 

René Descartes, in 'As Paixões da Alma'



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Diferença de Confiança e Fé

As pessoas perguntam: "Como posso ter confiança em D'us? Confiar que Ele cuidará de mim, que tudo se resolverá da melhor maneira? Talvez eu não mereça o melhor. Talvez eu já tenha feito tanta bobagem que Ele não se importe mais comigo." 
Estas pessoas estão inteiramente confusas no que diz respeito à confiança em D'us. Confiança não é fé. 
Fé é algo que você pode ter ou não ter. 
Mas confiança é algo que você faz.
Com grande esforço.
Há confiança quando você é arrastado pela correnteza de um rio furioso e se agarra com toda a força a uma pedra que você confia que não se moverá.
Há confiança quando, em tempos difíceis, você se apega de forma tão inabalável aos céus que os puxa para a terra.
Confiança é uma ligação de amor poderosa e heroica.
Assim como todo amor, ela se reflete no coração do amado.
Você se liga à Rocha Eterna no alto, e o Alto se liga a você.
Então você se torna um recipiente adequado para todo tipo de bem.
A confiança o transforma.
Ela muda todo o seu mundo.
E está disponível a qualquer pessoa, a todo o momento, independentemente de quem ela era no instante anterior.

Do livro: Trazendo o Céu para a Terra – Vol. 2 de Tzvi Freeman



terça-feira, 10 de setembro de 2013

VINTE E DOIS TOQUES CONSCIENCIAIS – VI* (Ponderações Espiritualistas, Simples e Despretensiosas)


1. O único sacrifício que o Todo** pede aos seus filhos é o da cabeça da arrogância cortada pela espada do discernimento espiritual. Fora isso, o resto é como uma colcha de retalhos mística, onde, para muitos, as práticas de magia se tornam mais importante do que o despertar de suas consciências.
            (Na verdade, o que conta é a atitude de cada um - e quais são os seus objetivos na senda espiritual... E o Amor que se leva no coração).
           
2. Muitos incautos não notam o quanto se expõe ao participarem de rituais obscuros, que não tem motivações justas e verdadeiras. Vão a diversos lugares, mas nunca se encontram – e nem querem – pois o que os move é o egoísmo e a leviandade.
            (E quando se deparam com algo que os leve para o encontro consigo mesmos, correm como o “diabo foge da cruz” – e o diabo deles se chama arrogância!)
           
3. Não, não é com rituais estranhos que a Vida revela os seus arcanos sagrados.
            (O Véu de Ísis é levantado somente quando o iniciado espiritual mostra o seu real valor diante das provas do mundo... Quando o seu coração sente o chamado cósmico do Todo para a consecução do perdão e da atitude lúcida e serena).
           
            4. Assim disse-me o Pai Joaquim de Aruanda, sábio mentor extrafisico que opera nas lides espirituais da Umbanda:
“Dorme, minha criança.
            Eu velarei pelo seu sono.
            Vá voar com os seus amigos nas esferas espirituais...
            E não se esqueça de dançar com as estrelas.
            Reze com Amor e peça ao Pai do Céu para abençoar o mundo.”
            (Então, soltei-me em espírito, no carinho dele - e voei...)
           
            5. Muita gente quer sair do corpo*** para fazer estrepolias no plano extrafísico. No entanto, se esquecem que “o semelhante atrai o semelhante”. E, aí, quando se deparam no astral com entidades má intencionadas, que também adoram fazer estrepolias, correm assustadas para dentro do corpo. E quando acordam na carne, interpretam isso como pesadelo. Porém, não prestam atenção no gosto amargo em seus lábios – e nem nas energias pesadas que trouxeram do extrafísico para dentro do seu campo energético.
            (Quem dorme pensando em coisas densas, certamente se projetará para fora do corpo e encontrará espíritos desencarnados com intenções similares... E o que rolar de estranho nesses encontros extrafísicos, será de acordo com o que o projetor levar em seu coração).

            6. De que adianta a uma pessoa não comer isso ou aquilo, se ela continuar “comendo” pensamentos e emoções grossas a todo instante – além de ficar de olho na conduta alheia?
            (E de que adianta vestir uma roupa branca, ou ser do grau espiritual tal, se sua aura estiver cheia de formas mentais densas e os seus chacras**** continuarem apagados?).

            7. Quem não é mestre sequer de si mesmo, poderá se arrogar como mestre de alguém? E quem é que poderá aferir a espiritualidade alheia, se só o Todo é que conhece o que se passa dentro de cada Ser?
            (Como dizem os mentores espirituais, “mestre é quem venceu a si mesmo”).

            8. Os mentores extrafísicos***** não são bolinhas de energia violeta – nem seus corpos espirituais são feitos de luzes de neón iniciáticas -, e eles não são de “purpurina mística”. Na verdade, eles são bem simples e generosos, e prezam mais o caráter bom de alguém do que qualquer tipo de “frenesi devocional”, ou evocações descabidas e sem sintonia consciencial adequada. A conexão profunda com eles só se dá em Espírito e Verdade.
            (E que não haja equívoco nisso: contato espiritual não é brincadeira mística – e os mentores extrafísicos não estão à disposição para atender aos caprichos do ego de ninguém. Inclusive, porque eles tem coisa mais importante para fazer do que ficar cuidando da leviandade das pessoas).

            9. Da mesma forma que os professores não podem dar “cola” para os alunos na hora da prova, os amparadores extrafísicos também não podem dar “cola” para os seus pupilos encarnados na hora de suas dificuldades. Eles podem até inspirar as pessoas para tudo o que for positivo e evolutivo, mas, não podem viver por ninguém – nem se meter na escolhas de cada um.
            (Não há efeito sem causa. Portanto, se a semeadura de cada um é livre, sua colheita será obrigatória. Isso é lei da natureza. E mesmo grandes mestres espirituais estão sujeitos a leis maiores – e as respeitam. Por isso, respeitam o livre-arbítrio de cada Ser).

            10. Quem presta atenção na programação existencial dos outros, deixa de prestar atenção no seu próprio desenvolvimento consciencial. Além disso, demonstra nisso sua própria arrogância, pois pressupõe que sua jornada é a única correta, e que os outros estariam desviados por seguirem caminhos e opções espirituais diferentes das suas. E tal postura radical evidencia o óbvio: quem é arrogante já está desviado de sua própria programação existencial.
            (O mundo está cheio de patrulheiros ideológicos, disso ou daquilo. O que falta é lucidez e universalismo).

            11. Às vezes, o Amor real assusta!
            É que, antes, muita gente se acostumou com as emoções pesadas - e, por isso, agora, não sabem lidar com os sentimentos melhores... Então, reagem como sempre: com autosabotagens variadas. E, na verdade, isso é uma espécie de autoobsessão, que, inclusive, bloqueia as energias da pessoa e só lhe acarreta infelicidades.
            (Muitos espíritos obsessores****** exploram isso nas pessoas, pois eles sabem que, sem Amor real, o resto é ilusão. Inclusive, eles também são assim. E, como o semelhante atrai o semelhante, eles simplesmente chegam junto e se aproveitam das emoções mal-resolvidas dos outros. E pouca gente percebe que, dar guarida para as emoções pesadas, equivale a abrir a porta de seus corações para as entidades desencarnadas inferiores se banquetearem com suas energias. E esse é o preço que se paga quando até mesmo o Amor verdadeiro é pisoteado pelo próprio ego).

            12. Amigos leais e verdadeiros são uma riqueza na vida das pessoas.
            Mesmo assim, tem gente que os perde - às vezes, por questões medíocres ou, simplesmente, por pura bobeira. Então, o coração delas fica pobre.
            (Da mesma forma, também tem gente que só faz besteiras em sua vida – e, assim, sacaneia os seus próprios mentores espirituais -, que, mesmo com dificuldades, continuarão tentando ajudá-las. Contudo, nem tanto por amizade, mas, sim, por obrigação.
            E se elas são incapazes de valorizar os seus bons amigos encarnados, também não valorizarão os seus amigos extrafísicos. E isso é uma pobreza!).

            13. Irmãos de senda espiritual jamais se degladiam, pois sabem que a meta real é vencer a si mesmos. Por isso, eles se unem em nome de um Grande Amor.
            (Sabem que são discípulos da Luz e que a irradiação de seus pensamentos afeta a humanidade de formas secretas e admiráveis).

            14. Na economia espiritual do Universo, sorrir é mais importante do que competir. “Ser” é melhor do que “ter” – e fluir pela existência com os olhos brilhando de lucidez é valor incalculável.
            (Técnica de autodefesa espiritual: Visualize um jorro de luz violeta oriundo do céu e que entra pelo chacra coronário (no meio do alto da cabeça). A seguir, faça essa energia violeta descer pelo interior do corpo e projetar-se para fora pelo plexo solar, como se jorrase para fora a partir dessa região. Faça isso por alguns minutos e sinta-se muito bem).

15. Ser paz íntima abraçando o mundo é ouro que reluz em todos os planos. Transitar pela crosta terrestre sob a égide da Luz espiritual é viver impulsionado pelo infinito manancial da inspiração divina.
(Ser consciência esclarecida é viajar pelas ondas do discernimento e da serenidade).

16. Perdoar não significa beneficiar aquele que fez algum mal. Significa beneficiar a si mesmo e abster-se de sintonizar a frequência das energias do ódio e desprender-se dos terríveis grilhões da mediocridade.
(Odiar é muito fácil. Difícil é manter a mente sintonizada aos sublimes eflúvios emanados pelo Pai Eterno... Em momentos de difíceis provações, erguer a mente ao Pai Divino equilibra o viver e dá forças para seguir em frente).

17. Devido a falta de Amor em seus trabalhos, muitos pesquisadores dos fenômenos parapsíquicos são arrastados extrafisicamente, durante o sono, para tugúrios umbralinos... Lá, são envolvidos em energias gosmentas, que bloqueiam os seus centros vitais. Posteriormente, ao retornarem ao corpo físico, tais vibrações densas intoxicam suas auras e lhes acarretam diversas sensações opressoras - e também repercussões psíquicas estranhas e desagradáveis.
(Os amparadores espirituais não podem fazer milagres e nem alterar as situações cármicas. Contudo, podem ajudar bastante, invisível e positivamente, àquelas pessoas que queiram crescer consciencialmente).

18. Assim como o músico qualificado habilmente tangencia as cordas do seu instrumento, o Todo também tangencia as cordas de nosso coração... E o resultado disso é uma linda canção de Amor, cheia de Vida e Luz.
(O som das esferas espirituais é imperceptível aos sentidos da carne, mas é perceptível à inteligência e ao coração. É algo de alma para alma!)

19. Não é a roupa branca que faz a aura******* de alguém ficar brilhante e linda, não.
O que verdadeiramente limpa às energias são os pensamentos positivos e os sentimentos elevados. O que afasta as trevas é a Luz!
(E isso não tem nada a ver com a cor da roupa que se veste - nem com doutrina alguma... Têm mais a ver com o caráter da pessoa e com os seus objetivos de vida.
E isso se evidencia em sua aura, pois a qualidade de suas energias revela o teor dos seus pensamentos e sentimentos).

20. Os atos de alguém não deixam dúvidas: quem é da Luz, age de acordo com a Luz! E quem ama, age de acordo com o Amor que carrega em seu coração.
(E, por isso, há um ensinamento hermético que diz o seguinte: “Quem quer mais Luz, que já seja Luz – pois o semelhante atrai o semelhante!”)

21. Nem sempre um mago trevoso aparece portando indumentária exótica ou exalando imprecações e magias perniciosas ao mundo. Em muitas ocasiões, trata-se de alguém aparentemente comum, mas que carrega grande ódio no coração. E, em consequência disso, por sintonia espiritual direta, diversas entidades trevosas pegam carona na esteira de suas energias deletérias.
            (Sim, quem odeia também é mago trevoso, pois fornece material psíquico abundante para a prática do mal por parte de seus parceiros extrafísicos).

(Para acessá-lo, basta entrar com a senha certa no coração espiritual: “AMOR”).

P.S.:
A Luz é a grande riqueza.
O trabalho é a firmeza.
O pensamento é o artífice.
O Amor é a inspiração.
E o Todo é a Consciência Cósmica.
Ah, quem ama, sabe...

Paz e Luz.

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma, se sentindo cada vez menor, diante de um Grande Amor. Cada vez mais espiritualista. Com Luz na jornada, humana e espiritual. Cheio de gratidão. Apaixonado pela vida. Rindo sozinho no meio da noite. Contente, só por existir. E lembrando de muita gente querida, também pequenas e vivendo nesse mesmo planeta, aprendendo, amando, rindo, fazendo o melhor possível e seguindo...
São Paulo, 10 de setembro de 2013.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ver as coisas como elas são..."O Caminho do Diamante"

“O mundo que normalmente vemos não é o mundo que realmente é, porque nós o vemos a partir do ponto de vista dos nossos juízos e preferências, nossos gostos e desgostos, nossos medos e nossas idéias de como as coisas deveriam ser. Portanto, para ver as coisas como elas realmente são, isto é, para vê-las objetivamente, temos de deixar tudo isso de lado — em outras palavras, temos de nos desapegar da nossa mente. Ver as coisas objetivamente significa que pouco importa que as coisas para as quais estamos olhando sejam boas ou más — significa simplesmente vê-las tais e quais elas são. Quando um cientista esta realizando um experimento, ele não diz: “Como eu não gosto disto, vou ignorá-lo.” Pessoalmente, pode até ser que ele não goste dos resultados, porque eles não confirmam a sua teoria; mas fazer ciência pura é ver as coisas tais e quais elas realmente são. Se o cientista diz que não vai levar em conta o experimento porque não gostou dos resultados, isso não é ciência. Não obstante, é assim que a maioria das pessoas lida com a realidade interior e exterior”.

Ali Hameed Almaas



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Conceitos

“Satisfação não é viajar pra lugares distantes, é conhecer quem você tem por perto. 
Pontualidade não depende de um carro veloz na garagem, depende se você saberá chegar no momento exato. 
Ser bem sucedido não depende apenas de um bom emprego, depende se você fará aquilo que ama fazer. 
Alegria não é sorrir por algo, é sorrir mesmo quando os motivos faltam. Superação não é levantar depois de uma queda, é erguer todos que tropeçaram no mesmo buraco. 
De nada adianta ter muitas conquistas se você não tiver com quem compartilhar. 
Ser feliz não tem nada a ver com o que você leva no bolso, mas sim, quem você carrega no coração.”

Sean Wilhelm




Conte Comigo....

Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.
Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens.


Allan Kardec


terça-feira, 27 de agosto de 2013

E tem gente que se acha…

Quando se pensa e se faz o trabalho como obra poética em vez de sofrimento costumaz, sempre vem à mente a questão do “trabalho digno”, isto é, aqueles ou aquelas que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um emprego socialmente mais valorizado.
Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe com quem você está falando?”
Um dia procurei representar uma possível resposta científica a essa arrogante pergunta, e, de forma sintética, registrei essa representação em um livro meu chamado A escola e o conhecimento (Cortez); agora, de forma mais extensa e coloquial, aqui vai este relato, partindo do nosso lugar maior, o universo, até chegar a nós.
Hoje, em física quântica, não se fala mais um universo, mas em multiverso. A suposição de que exista um único universo não tem mais lugar na Física. A ciência fala em multiverso e que estamos em um dos universos possíveis. Este tem provavelmente o formato cilíndrico, em função da curvatura do espaço, portanto, ele é finito e tem porta de saída, que são os buracos negros, por onde ele vai minando e se esvaziando. Até 2002, era quase certo que o nosso universo fosse cilíndrico, hoje já há alguma suspeita de que talvez não. Mas a teoria ainda não foi derrubada em sua totalidade. Supõe-se que este universo possível em que estamos apareceu há 15 bilhões de anos. Alguns falam em 13 bilhões, outros em 18, mas a hipótese menos implausível no momento é que estamos num universo que apareceu há 15 bilhões de anos, resultante de uma grande explosão, que o cientista inglês Fred Hoyle apelidou de gozação de big-bang, e esse nome pegou.
Qual é a lógica? Há 15 bilhões de anos, é como se se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo o universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo de elasticidade e irá encolher outra vez. A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranqüilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras.
Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino, seja o feminino. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso, a ciência tem isso como hipótese.
Assim, há 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão atômica, que gerou uma aceleração inacreditável de matéria e liberação de energia. Essa matéria se agregou formando o que nós, humanos, chamamos de estrelas e elas se juntaram, formando o que chamamos de galáxias (do grego galaktos, leite). A ciência calcula que existam em nosso universo aproximadamente 200 bilhões de galáxias. Uma delas é a nossa, a Via Láctea, que é “leite”, em latim. Aliás, nem é uma galáxia tão grande; calcula-se que ela tenha cerca de 100 bilhões de estrelas. Portanto, estamos em uma galáxia, que é uma entre 200 bilhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora chamam de estrela-anã, o Sol. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz própria, nove ao todo, talvez oito (pela polêmica classificação em debate). A terceira delas, a partir do Sol, é a Terra. O que é a Terra?
A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes….
Aliás, veja como nós temos razão de nos termos considerado na história o centro do universo. Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para nós existirmos aqui. Isso é que é um Deus que entende da relação custo-benefício. Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para esta pessoa existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica.
Nesse lugarzinho tem uma coisa chamada vida. A ciência calcula que em nosso planeta haja mais de trinta milhões de espécies de vida, mas até agora só classificou por volta de três milhões de espécies. Uma delas é a nossa: homo sapiens. Que é uma entre três milhões de espécies já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
Essa espécie tem, em 2007, aproximadamente 6,4 bilhões de indivíduos. Um deles é você.
Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vive num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.
É por isso que todas as vezes na vida que alguém me pergunta: “Você sabe com quem está falando?”, eu respondo: “Você tem tempo?”
Mario Sergio Cortella

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Mestre da Vida

"Jesus, o Mestre da Vida, nos deu lições inesquecíveis. Mostrou-nos que a vida é o maior espetáculo do mundo! A vida que pulsa na criatividade das crianças, na despedida dos amigos, no abraço apertado dos pais, na solidão de um doente, no choro dos que perdem seus seres amados...

Quando você estiver só no meio da multidão, quando errar, fracassar e ninguém o compreender, quando as lágrimas que nunca teve coragem de chorar escorrerem silenciosamente pelo seu rosto e você sentir que não tem mais forças para continuar sua jornada, não se desespere!

Pare! Faça uma pausa na sua vida! Não dispare o gatilho da agressividade e do auto-abandono. Enfrente seu medo! Faça do seu medo alimento para sua força. Destrave a sua inteligência, abra as janelas da sua mente, areje o seu espírito! Permita-se ser ensinado pelos outros, aprenda lições dos seus erros e dificuldades. 
Liberte-se do cárcere da emoção e dos pensamentos negativos. Jamais se psicoadapte à sua miséria!

Lembre-se do Mestre da Vida! Ele nos ensinou a sermos livres mesmo diante das turbulências, perdas e fracassos, mesmo sem haver nenhum motivo aparente para nos alegrarmos. Tenha a mais legítima de todas as ambições: ambicione ser feliz!

Lembre-se que Jesus Cristo, um ser humano igual a você, passou pelos mais dramáticos sofrimentos e superou com a mais alta dignidade. Seja apaixonado pela vida como ele foi. Lembre-se que por amar apaixonadamente a humanidade, ele teve o mais ambicioso plano da história.
Mantenha em mente que nesse plano, você é uma pessoa única, e não mais um número na multidão.

A vida que pulsa na sua alma torna você especial, inigualável, por mais dificuldades que atravesse, por mais conflitos que tenha. Portanto, erga seus olhos e contemple o horizonte! Enxergue o que ninguém consegue ver! Há um oásis no seu no fim do seu longo e escaldante deserto!

Saiba que as flores mais lindas sucedem aos invernos mais rigorosos. Tenha convicção de que nos momentos mais difíceis de sua vida você pode escrever os mais belos capítulos de sua história.
Nunca desista de você! Dê sempre uma chance a si mesmo!
Nunca desista dos outros! Ajude-os a corrigir as rotas de suas vidas. 
Mas, se não conseguir, poupe energia, proteja sua emoção e aguarde que eles queiram ser ajudados. Enquanto isso, aceite-os do jeito que são, ame-os com todos os defeitos que têm. Amar traz saúde para a emoção.

Jesus encantava as pessoas com suas palavras. As multidões ao ouvi-lo, renovavam suas forças e encontravam um novo sentido para suas vidas! Ele reacendeu a esperança de muitos... Compreendeu o que é ser homem e fez poemas sobre a vida, até sangrando... Brilhou onde não havia nenhum raio de sol"

Augusto Cury


sábado, 24 de agosto de 2013

O vaso de porcelana e a rosa

O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo.

O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.

-Vou apresentar um problema – disse o Grande Mestre. – E aquele que o resolver primeiro, será o novo Guardião do templo.

Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo.

-Eis o problema – disse o Grande Mestre.

Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma?

Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta. Depois, caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão, destruíndo-o.

-Você é o novo Guardião – disse o Grande Mestre para o aluno.

Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou:

-Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado.

“Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado – mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto”.

“Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente”.

Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo”.


Paulo Coelho


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Dor Física X Dor Emocional

O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito. 

Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.


Martha Medeiros



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Soberba

“A soberba é o vício mais frequentemente castigado, e, no entanto, o mais difícil de curar” (Nicolás Tommaseo, escritor e estudioso italiano, 1802-1874).

Soberba é alguém sentir-se acima ou fora do seu próprio ser. Abordando o tema por outro prisma, podemos dizer que soberba é estar fora do núcleo de sua identidade, ou seja, ser o que “não é”. Quando alguém se sente ou porta-se como sendo o que “não é”, ele envereda por um turbilhão de comportamentos e atitudes que mais lhe trazem prejuízos do que benefícios. Sente-se e porta-se como se fosse superior aos outros quando na verdade procura esconder seu complexo de inferioridade e sua impotência. Por causa desse conflito interno a pessoa mergulha incessantemente na busca de tentar tapar o buraco de sua carência e imperfeição, sobrepondo-se aos demais. Isso gera um incômodo em que ela tenta preencher o vazio, a carência e a imperfeição com coisas, respostas, soluções e atitudes inadequadas à sua busca, longe ou à margem de seu próprio ser. O resultado é o vício de drogar-se com uma autoimagem falsa e construir toda uma vida em cima desse ídolo que pede todos os dias e a todo o momento um sacrifício de adoração e louvor. Desse modo, toda a vida da pessoa fica aprisionada a um culto do “ego” falso, onde tudo e todos devem girar em torno desse centro manipulador. Por si só, a soberba transforma-se em um castigo para aquele que a tem como senhora de seu destino. Um castigo pesado e cruel, mas que pode abrir as portas da libertação e da cura pessoal se aquele (a) que a porta aceitar o fato de sua imperfeição e carência como uma oportunidade de ir ao encontro de suas verdadeiras raízes. Para ir ao encontro das verdadeiras raízes é necessário enterrar-se. Enterrar-se é mergulhar na terra. Terra é “húmus”, o que deu a origem á palavra humilde e humildade. A essência do ser humilde, por sua vez, nada mais é do que estar colocado de modo real e concreto com a vida, sem tirar nem acrescentar nada. E estar colocado de modo real e concreto com a vida é colocar-se uno com ela; fluir ao seu ritmo sem querer erguer-se sem raízes nela. O Soberbo é justamente aquele que procurou erguer-se sem fixar raízes na terra. Eis a causa de seu sofrimento, de sua fragilidade e alienação. Sua cura está em assumir e em converter-se ao seu “húmus”. E ser “humos” é ser “homo”, ou melhor, ser o que se é: Homem.




quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Tempo

"...Quanto menos tempo tem alguém, mais importante esta pessoa deve ser. Vale a pena revisar este conceito. Talvez as pessoas que mais tenham a nos ensinar e nos oferecer neste mundo sejam aquelas que tem muito tempo. Olhe à sua volta e, sem roubar todo o tempo destas pessoas, fique perto de quem tem tempo. Quando você procurar alguém que não tem tempo para você, fique em paz, pois não era exatamente ele que você procurava."

Nilton Bonder


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Definições

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. 
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. 
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. 
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. 
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

Adriana Falcão



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sem Ensaio

Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro. Somos como atores convocados a representar uma tragédia (ou comédia), sem ter feito um único ensaio, apenas com uma ligeira e apressada leitura do script. Nunca saberemos, de fato, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não. Não há tempo para essa verificação. Por isso, precisamos cuidar das nossas emoções com carinho muito especial.

Milan Kundera



domingo, 18 de agosto de 2013

A Felicidade é o Amor

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.

Hermann Hesse