quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Soberba

“A soberba é o vício mais frequentemente castigado, e, no entanto, o mais difícil de curar” (Nicolás Tommaseo, escritor e estudioso italiano, 1802-1874).

Soberba é alguém sentir-se acima ou fora do seu próprio ser. Abordando o tema por outro prisma, podemos dizer que soberba é estar fora do núcleo de sua identidade, ou seja, ser o que “não é”. Quando alguém se sente ou porta-se como sendo o que “não é”, ele envereda por um turbilhão de comportamentos e atitudes que mais lhe trazem prejuízos do que benefícios. Sente-se e porta-se como se fosse superior aos outros quando na verdade procura esconder seu complexo de inferioridade e sua impotência. Por causa desse conflito interno a pessoa mergulha incessantemente na busca de tentar tapar o buraco de sua carência e imperfeição, sobrepondo-se aos demais. Isso gera um incômodo em que ela tenta preencher o vazio, a carência e a imperfeição com coisas, respostas, soluções e atitudes inadequadas à sua busca, longe ou à margem de seu próprio ser. O resultado é o vício de drogar-se com uma autoimagem falsa e construir toda uma vida em cima desse ídolo que pede todos os dias e a todo o momento um sacrifício de adoração e louvor. Desse modo, toda a vida da pessoa fica aprisionada a um culto do “ego” falso, onde tudo e todos devem girar em torno desse centro manipulador. Por si só, a soberba transforma-se em um castigo para aquele que a tem como senhora de seu destino. Um castigo pesado e cruel, mas que pode abrir as portas da libertação e da cura pessoal se aquele (a) que a porta aceitar o fato de sua imperfeição e carência como uma oportunidade de ir ao encontro de suas verdadeiras raízes. Para ir ao encontro das verdadeiras raízes é necessário enterrar-se. Enterrar-se é mergulhar na terra. Terra é “húmus”, o que deu a origem á palavra humilde e humildade. A essência do ser humilde, por sua vez, nada mais é do que estar colocado de modo real e concreto com a vida, sem tirar nem acrescentar nada. E estar colocado de modo real e concreto com a vida é colocar-se uno com ela; fluir ao seu ritmo sem querer erguer-se sem raízes nela. O Soberbo é justamente aquele que procurou erguer-se sem fixar raízes na terra. Eis a causa de seu sofrimento, de sua fragilidade e alienação. Sua cura está em assumir e em converter-se ao seu “húmus”. E ser “humos” é ser “homo”, ou melhor, ser o que se é: Homem.




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